Se por décadas o mercado foi movido pelo que as empresas vendiam, hoje ele é conduzido por como as pessoas consomem, o que esperam das marcas e quais valores exigem de quem compram.

Segundo o relatório Global Consumer Trends 2025 da Deloitte, 82% dos consumidores afirmam que não compram apenas pelo benefício funcional, mas pelo que a marca representa e pela experiência que entrega antes, durante e depois da venda. Enquanto isso, o estudo McKinsey Consumer Pulse 2025 mostra que 7 em cada 10 pessoas trocam de marca quando sentem falta de conexão emocional, confiança ou valores compartilhados.

Esses dados confirmam uma mudança silenciosa — porém profunda — na lógica dos negócios:  não é mais o mercado que molda o consumidor; é o consumidor que molda os negócios.

 

As três novas expectativas do consumidor — e o impacto estratégico para as empresas

Com base nos quatro relatórios analisados, três comportamentos aparecem como consenso para o futuro do consumo:

  1. Pessoas não querem só comprar — querem se identificar

Marcas que não comunicam propósito, posicionamento e valores claros são esquecidas. O estudo WARC 2025 aponta que marcas percebidas como “neutras” têm probabilidade 43% maior de perder espaço para concorrentes com narrativa e identidade fortes.  Negócios que desejam crescer precisam responder:  por que existimos para além do que vendemos?

 

  1. As pessoas querem ser vistas, não segmentadas

A era das “personas genéricas” e do marketing massificado está acabando.
A McKinsey destaca que empresas que investem em jornadas personalizadas atingem 40% mais receita por cliente, porque fazem o consumidor sentir que há alguém conversando com ele — e não com um grupo no atacado.

  1. Valor não é preço — é experiência

De acordo com a Kantar Consumer Priorities 2025, 71% dos consumidores afirmam que pagarão mais por marcas que oferecem experiências fluidas, humanas e memoráveis. Não vence quem vende mais barato. Gera propósito quem entrega algo que ninguém esquece.

 

O desafio das empresas que querem se preparar para o que vem pela frente

Os relatórios convergem para a mesma conclusão: o futuro dos negócios não é sobre prever o mercado, mas sobre ouvir o consumidor continuamente. Empresas que crescem consistentemente têm três pilares estruturados:

Consumidor no centro: Processos mapeados e revisitados;

Marca com clareza: Comunicação coerente e consistente;

Experiência como valor: Cultura e pessoas capacitadas.

E — talvez o ponto mais ignorado — não existe estratégia de consumo saudável em uma empresa com equipes adoecidas ou sobrecarregadas.  A mesma pesquisa da Deloitte mostra que segurança psicológica, colaboração e bem-estar são fatores diretamente ligados à percepção de marca e fidelização.

Ou seja: o consumidor percebe quando uma empresa cuida de quem está dentro.

Como a Farofa enxerga esse movimento?

Para a Farofa, comportamento de consumo não é uma estatística — é um espelho da cultura organizacional. Marcas que querem crescer precisam:

saber quem são,

saber para quem falam,

e saber como entregar valor de forma coerente em todas as interações.

O consumidor do futuro já tem uma mensagem clara: ele não quer apenas comprar, ele quer confiar, se identificar e pertencer.